Pensei
em nunca mais
escrever.
Mas
aqui está
um pouco de mim,
um pouco
de alguma coisa,
ou alguma coisa
de tudo de mim.
Então,
como posso deixar,
o pouco,
o alguma,
ou tudo de mim.
Como posso,
deixar-me no vazio
sem palavras,
sem sentir.
Sou sentimentos,
loucura
de minha garganta,
voz que sai
às vezes,
quase sempre,
sem pensar,
pensando.
Pensarei
que "calar-me"
é morrer.
E falar
sem gritar
é escrever.
Sempre.
Nasci assim.
(Isabel Ienczak)
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