Ele
dissimulando
olha para ela
cobiçando para si
os lábios dela.
Ela
não imagina
ser observada
tão pouco admirada...
...desejada.
Ele
se põe a fantasiar
ambicionando segurá-la
em seus braços
deter o tempo e beijá-la.
Selar em seus lábios
num longo momento
o imaginário que a tempos
o acossa
fervendo-lhe o sangue
do impossível.
Ela
discorre suas idéias
com sua boca matizada
em cor pêssego
sem notar o encalço oculto
tão próximo a ela.
Ele
nada mais faz
detém apenas seus músculos.
Secretamente as palavras
vem a mente
no algoze do pensamento
ficando apenas a cogitar:
"Ah! Se eu pudesse..."
(Isabel Ienczak)
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